O trigo é uma importante cultura de inverno na região de atuação da Coagru. Além de gerar renda ao produtor, desempenha papel fundamental no sistema de produção, especialmente na rotação com a soja. Quando bem conduzido, contribui para a estabilidade produtiva das áreas e para a sustentabilidade da atividade agrícola.
O sistema trigo-soja oferece benefícios importantes para as lavouras. A palhada deixada após a colheita protege o solo, auxilia na conservação da umidade, reduz a temperatura superficial e minimiza os riscos de erosão. A rotação de culturas também contribui para o controle de pragas, doenças e nematoides, além de melhorar as condições físicas do solo, favorecendo o desenvolvimento da cultura da soja na sequência.
Com a lavoura de trigo em desenvolvimento, o acompanhamento técnico torna-se fundamental, principalmente no manejo fitossanitário. As condições típicas desta época do ano, caracterizadas por alta umidade, presença de orvalho e variações de temperatura, favorecem o surgimento e a rápida disseminação de doenças, exigindo atenção constante do produtor.
Entre as doenças que afetam as espigas, destacam-se a giberela (Fusarium graminearum) e a brusone (Pyricularia oryzae). A giberela é uma das principais preocupações na região, especialmente em períodos chuvosos durante o florescimento, podendo reduzir a produtividade e comprometer a qualidade dos grãos devido à produção de micotoxinas. Já a brusone ocorre em condições de clima quente e úmido, principalmente durante o espigamento, causando o branqueamento das espigas e a formação de grãos chochos.
Entre as doenças foliares, merecem atenção a mancha-amarela (Drechslera tritici-repentis), a ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) e o oídio (Blumeria graminis f. sp. tritici). Essas doenças reduzem a área fotossintética das plantas, prejudicando o enchimento dos grãos e, consequentemente, o potencial produtivo da lavoura. Em condições favoráveis, como alta umidade e elevada população de plantas, sua evolução pode ser rápida, exigindo monitoramento frequente.
O controle deve ser baseado no monitoramento constante da lavoura e na adoção de medidas preventivas. O uso de fungicidas registrados para a cultura, aliado à alternância de ingredientes ativos e à utilização de produtos biológicos, contribui para aumentar a eficiência do controle e reduzir o risco de resistência dos patógenos. As aplicações devem ser realizadas no momento adequado, com atenção especial ao início da formação da espiga e ao espigamento, fases críticas para a proteção da cultura.
Na cultura do trigo, pulgões e lagartas estão entre as principais pragas de importância econômica. Os pulgões alimentam-se da seiva das plantas e podem transmitir viroses, comprometendo o desenvolvimento da lavoura e reduzindo a produtividade e a qualidade dos grãos. As lagartas, por sua vez, alimentam-se do tecido foliar, provocando desfolha e reduzindo a capacidade da planta de produzir energia para seu crescimento e desenvolvimento. Dessa forma, o monitoramento frequente é essencial para a identificação precoce dessas pragas e a adoção de medidas de controle nos estádios iniciais de infestação.
Quando o manejo é conduzido de forma adequada, com acompanhamento técnico e atenção às condições climáticas, o trigo expressa melhor seu potencial produtivo, contribui para a rentabilidade do produtor e fortalece o desempenho do sistema produtivo como um todo.